quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Aula 1
Prof. Raulino

ANTROPOLOGIA


A CRIAÇÃO

Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, no original hebraico, é "Bereshith", que se traduz por "No princípio" e, no grego, a palavra "Gênesis" é "Geneseos", que significa "nascimento, começo, princípio". Foi escrito por Moisés em 1443 a.C., aproximadamente, e redigido nos primeiros anos da peregrinação de Israel no Deserto, quando este patriarca procurava ensinar ao povo os fundamentos da Palavra de Deus.


Deus, o Criador


1. Identificando o Criador. Antes de falar dos atos criativos do Senhor, é preciso conhecê-lo do modo como a Bíblia o apresenta. Gênesis não começa com uma teoria, mas com o vocábulo Deus: "No princípio criou Deus” (Gn 1.1).Através da história da humanidade, os homens têm inventado muitos deuses, e Satanás, arquiinimigo do Criador, deseja tornar-se o governador ou “deus” do Universo, a qualquer custo.

2. O Criador e a criação. A declaração de que há um Criador, o qual deu vida a todos os seres vivos existentes na Terra, e também os elementos animados e inanimados, desfaz completamente as teorias anticriacionistas da evolução . No hebraico, o termo "BARAH" indica, de forma direta, que Deus é o Criador.

3. O Criador é o Senhor Onipotente. Entre os atributos de sua Onipotência, revela-se "o poder de criar". A Abraão, o Senhor manifestou-se como "o Deus Todo-poderoso" (Gn 17.1). Vários textos na Bíblia declaram que "Deus fez a terra pelo seu próprio poder" (Is 40.21-28; 42.5; 45.12-18; Jr 10.12; 27.5; 51.15)

Quantos anos tem a Terra ?

A Ciência Têm encontrado evidências que nos levam a acreditar que nosso planeta é antiqüíssimo ! Baseando-se nas genealogias do Antigo Testamento e nas cronologias reais, um bispo irlandês do século XVII chegou a datar "O Princípio" em 4.004 a C. Haverá erros arqueológicos ou nos textos bíblicos ??? Como podemos resolver este Conflito ???

As Alegadas Contradições Entre a Bíblia e a Ciência

Deus deixou dois registros de sua criação - na Bíblia e na Arqueologia. A Bíblia não foi escrita para ser um tratado científico, entretanto, todas as suas citações científicas podem ser examinadas e constatadas em sua veracidade. Uma dos problemas iniciais é sobre a idade da Terra. Quantos anos elas tem ??? Através da Geologia chegou à conclusão de que a Terra é Antiqüíssima. Daí cria-se o conflito com os cristãos que crêem que a Bíblia diz claramente que faz somente seis mil anos que Deus criou o Universo. Enquanto a Astronomia afirma uma época de cerca de 12 bilhões de anos !!! O problema não resulta em erro, nem da Bíblia e nem da ciência, mas sim na má interpretação dos relatos bíblicos. Ainda assim, é preciso distinguir entre o que a ciência descobriu realmente e o que é mera especulação. A Verdadeira ciência não consiste em teorias, mas em fatos concretos.
Aula 2
Prof. Raulino


ANTROPOLOGIA

Existem algumas Teorias que procuram harmonizar a Bíblia com a ciência:

Teoria do Vazio ou do arruinamento da Criação - Entre Gênesis 1:1 e 1:2 sucedeu uma "Catástrofe Universal", relacionada com a Queda de Satanás. Como resultado a terra ficou "sem forma e vazia". Deus teria recriado a terra em seis dias literais. Transcorreram-se milhões de anos entre a Criação e a recriação.


Teoria da Criação Progressiva - O relato de gênesis é interpretado poeticamente. Os dias representam períodos de tempo indefinidos. A Bíblia não declara a duração de cada dia, e a grande verdade é que o termo "dia" (hebraico yôm) nem sempre se refere a um período de vinte e quatro horas. Em reforço a esta teoria assinala-se que as recentes descobertas confirmam a ordem da criação descrita em Gênesis.


Teoria da alternância Dia-Era - Os períodos de vinte e quatro horas, ou curtos lapsos de tempo, separados por vastas eras geológicas.


Segundo os cientistas da NASA, o Universo possui de 12 a 13 bilhões de anos de existência. Se o cálculo for feito através do uso dos cronogramas bíblicos, a idade achada não passa dos 6 milhões de anos. Como resolver este conflito ? Estaria a Bíblia errada? O dogmatismo tem levado muitos à não acreditarem nas eras geológicas, muito embora evidências textuais e arqueológicas apontem nesta direção. O fato de Deus "ter descansado" e da existência do Sabbath, não contrariam esta linha de pensamento. Na Bíblia, existem diversas expressões de antropomorfismo (Deus com formas humanas) e antropopatia (com sentimentos humanos). O Deus Eterno não tem necessidade de descansar tal como o homem. Deus é perfeito, e em Sua perfeição não cansa ! O Profeta Isaías declara isto: “Não sabes, não ouvistes que o Eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, não se cansa e nem se fatiga ?” (Is. 4028). Outra controvérsia é a análise gramatical de Gênesis 2, que causou problemas até mesmo aos Rabis, pois sugere que Deus tenha feito algo no 7º Dia ! Na realidade, o verbo Shabbat tem o sentido de "interromper", "deixar de..." e "Chegar ao Fim... "A grande lição do Sabbath era para a humanidade lembrar da necessidade de dedicar um dia ao Senhor." O Sábado foi criado por causa do Homem” frisou Jesus. O Sabath nada tem haver com o dia após a Sexta, mas sim um dia santificado, separado ao Criador. Citado em Gênesis, a realidade só foi instituído nos tempos de Moisés.. É importante lembrar que Deus também instituiu o Ano Sabático (O sétimo,a cada 6 anos) no qual não era realizado nenhum tipo de plantio. Aos que criticam a idéia das eras geológicas, indagando o que Deus estaria fazendo durante toda uma era ? Respondemos: Deus estava Criando. Aliás, Deus nunca parou de Criar ! NO Evangelho de João 5: 17 Jesus afirmou: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" e isto num dia de Sabath! Através das observações astronômicas, notamos um universo em contínua criação. Estrelas nascendo, outras morrendo... Outro grande dilema é o Calendário que usamos atualmente. Ele não foi instituído por Deus. Influências do EGÍPCIOS, MAIAS, ROMANOS e até do Papa Gregório, resultaram em nossa maneira de medir o tempo.


O PONTO DE VISTA DE MOISÉS

Os eventos da Criação são descritos do ponto de vista de um observador que estaria vendo a criação realizar-se ao seu redor. A Ordem não é necessariamente cronológica. Por exemplo, a luz e as trevas são descritas antes do Sol e das Estrelas. Moisés não escreveu um tratado de geologia ou de astronomia ou de qualquer outra ciência. O texto nunca nos diz o "quando" da criação, nem nos explica em detalhes como Deus fez existir a Terra e a vida, nem sequer o "tempo" que Ele gastou!

Entendendo "No Princípio"

A expressão "No Princípio" pode ser entendida muito mais do que "No Início". A tradução do hebraico faz menção de "Em Princípio". Nem sempre sugere "tempo". Exemplo podemos ver o Sol nascer, no "princípio" do dia. Estamos, no caso, fazendo uma alusão cronológica acerca do que era e o princípio do que será. Uma Continuação. Usamos também "princípio" para sugerir uma transição. Você muda de uma cidade, "deixa suas raízes". Estamos falando de uma nova etapa da vida. Falamos mais do que um princípio. Na realidade, é um princípio de um novo estilo de vida.


Entendendo a Criação de Deus

A Criação de Deus não é uma doutrina de "Era uma vez...", nem um acontecimento isolado num passado distante. A Criação é algo que Deus continua fazendo. Deus, cuja natureza é criativa, continua criando. A Criação não é nenhuma exposição em um museu de teologia, mas sim uma Obra permanente de Deus. Precisamos entender os quatro tempos da Criação: Passado, Presente, Imperfeito e Futuro. Criação no Passado nos fala do momento em que Deus Criou todas as coisas. No presente, fala Dele sustentando todas as coisas pelo Seu Poder (Deus não abandonou o Universo, mas controla todos os eventos). Criação no Imperfeito é mais difícil de entender, pois em nossa língua não temos este tempo verbal existente na língua original do Novo Testamento, o grego. Falar da Criação no Imperfeito é falar de uma criação contínua, de Deus Criando constantemente... Já Criação no futuro nos demonstra o ato final de Deus descrito em Apocalipse 21:1: “... Um Novo Céu e uma Nova Terra".


Nota adicional sobre os Dias da Criação


A Simetria do esquema de Gênesis 1 levanta a questão se devemos entender o capítulo cronologicamente ou de alguma outra maneira. É concebível que a idéia de "forma e repleção" tenha imposto a presente disposição ao material, parte do qual se desenvolve em ordem diferente no capítulo 2 com vistas à ênfase diferente. Ou ainda, como Karl Barth o vê, a menção da luz antes da do sol e da lua poderia ler-se como "franco protesto contra toda e qualquer espécie de culto ao Sol", caso em que o objetivo polêmico teria de ser levado em conta como contribuindo para a estrutura de Gênesis 1. Outra teoria faz dos seis dias uma seqüência de dias de instrução dada ao autor, não dias da criação propriamente dita. Mas ela repousa em grande parte numa errônea compreensão da palavra "fez" em Ex.20:11. Também, um interesse litúrgico poderia explicar o esquema de dias, se pudesse evidenciar que este "hino" da criação foi composto para a celebração de uma semana festiva do Ano novo em Israel, semelhante ao rito babilônico de Akitu - hipótese baseada em fundamento particularmente pobre. Ainda, porém, pode-se insistir em que a ordem pertence à forma poética da passagem, e não deve ser salientada demais, visto que o interesse do autor é expor-nos o mundo visível como Obra das mãos de Deus, e não informa-nos de que este aspecto é mais antigo do que aquele. Justamente como seria impossivelmente prosaico inquirir o autor de, por exemplo, Jó 38 "sobre os odres dos céus" ou "laços do Órion", assim seria a errônea abordagem desta passagem esperar que seu esquema de dias seja informativo, e não estético. Talvez, uma ou outra dessas sugestões, justifique a intenção do capítulo. Entretanto, a marcha dos dias é um avanço progressivo majestoso demais para não incluir nenhuma idéia de seqüência ordenada. Além disso, parece muita sutileza adotar uma conceituação da passagem que elimine uma das impressões primordiais que ela causa no leitor comum. É uma história, e não apenas uma declaração. Como acontece com toda narrativa, exigiu a escolha de uma perspectiva, do material componente e de um método de narrar. Em cada um destes itens, a simplicidade constitui a nota dominante. A linguagem é a de todo dia, descrevendo as coisas segundo a sua aparência. Os contornos da história são nítidos, livres de exceções e qualificações que distraem a atenção, livres também para agrupar matérias da mesma categoria (de modo que as árvores, por exemplo, antecipam a sua localização cronológica para entrarem na classificação do mundo vegetal), para cumprir um grande propósito no quais as exigências, ora de seqüência no tempo, ora de conteúdo e assunto, dirigem a apresentação, e o quadro completo revela o Criador e os Seus preparativos de um lugar no céu.
Aula 3
Prof.: Raulino


ANTROPOLOGIA


DE ONDE VEM NOSSA ALMA? CRIACIONISMO OU TRADUCIONISMO?


Qual a origem da nossa alma? Duas teses são comuns na história da igreja.

O Criacionismo é a concepção de que Deus cria uma nova alma para cada pessoa e a envia ao corpo da pessoa em algum momento entre a concepção e o nascimento.

O Traducionismo, por outro lado, sustenta que a alma e o corpo da criança são herdados dos pais no momento da concepção.Ambas as teses tiveram defensores numerosos a longo da história da igreja, tendo afinal, prevalecido o Criacionismo na igreja Católica Romana.

Martinho Lutero era a favor do traducionismo, enquanto João Calvino favorecia o Criacionismo.Por outro lado, alguns teólogos calvinistas posteriores, como Jonathan Edwards e A. H Strong, favorecem o Traducionismo ( como o faz a maioria dos luteranos hoje).

O Criacionismo também tem muitos defensores evangélicos modernos.
Aula 4
Prof.: Raulino



ANTROPOLOGIA

TRICOTOMIA X DICOTOMIA

TRICOTOMIA - o termo, que significa uma “divisão em três partes” (gr. tricha, “em três partes”; temnein, “cortar”), é aplicado na teologia à divisão tríplice da natureza humana em corpo, alma e espírito. Esse conceito desenvolveu-se da divisão dupla feita por Platão, corpo e alma, passando pela divisão adicional da alma feita por Aristóteles: (1) uma alma animal, a parte orgânica que respira, a existência humana, e uma (2) alma racional, o aspecto intelectual. Os escritores cristãos primitivos, influenciados por essa filosofia grega, acharam a confirmação da sua opinião em I Ts 5:23: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Orígenes chegou a usar as palavras soma (“corpo”), psiche (“alma”) e pneuma (“espírito”) como chaves do método apropriado de interpretar a totalidade das Escrituras, e sugeriu que toda Escritura fosse interpretada (1) no seu significado natural ou somático, (2) no seu significado simbólico ou psíquico, e finalmente (3) no seu significado espiritual ou pneumático. Essa interpretação parcelada das Escrituras ou da natureza humana, pode, facilmente, deixar despercebida a tremenda ênfase bíblica na integridade e na unidade, onde mesmo no texto prova em Tessalonicenses, Paulo ora para que sejam santificados em tudo, e que [todo - A R C] seu espírito, alma e corpo sejam considerados íntegros. Tanto Tertuliano como Agostinho sustentavam a dicotomia do corpo e da alma, mas quase chegavam à análise tríplice do homem, ao fazerem distinção aristotélica entre alma animal e a alma racional. As ênfases teológicas e psicológicas atuais recaem quase totalmente sobre a integridade ou unidade do ser humano, contra todas as tentativas filosóficas de dividi-la.



DICOTOMIA - Esse termo, que significa uma divisão em duas partes (gr. dicha, “em dois”; temnein, “cortar”), aplica-se na teologia àquele conceito da natureza humana que sustenta que o homem tem duas partes fundamentais no seu ser: o corpo e a alma. Geralmente, as duas são fortemente comparadas, consideradas como de origens diferentes e existência independente. Assim, o verdadeiro relacionamento entre o corpo e a alma torna-se questão crucial.

Platão ensinava que o corpo era matéria perecível mas que a alma existia no mundo celestial em forma ou idéia pura, antes da sua encarnação no corpo humano. A alma, portanto, era incriada e imortal - uma parte da deidade. O corpo é a prisão da alma; a alma está trancada no corpo como uma ostra na sua concha. Na ocasião da morte, a alma deixa o corpo para voltar ao mundo celestial, ou para ser reencarnada em algum outro corpo.

A adaptação que Aristóteles fez de Platão, ao dividir a alma nos seus aspectos animal e racional, foi desenvolvida ainda mais na doutrina católico-romana através de Tomás de Aquino, que ensinava que a alma era criada no céu e colocada no corpo em formação na ocasião da “vivificação” no ventre materno.

A nova filosofia depois de Descartes afirmava a origem independente do corpo e da alma, supondo que a unidade aparente entre eles na personalidade humana deve-se à co-relação coincidental que ocorre momentaneamente, assim como quando os pêndulos de relógios diferentes acabam balançando no mesmo compasso. A teologia contemporânea geralmente rejeita este ponto de vista, e sustenta a unidade entre o corpo e a alma do homem, conforme expõe o pensamento hebraico: o homem passou a ser alma vivente” (Gn. 2:7).


Bibliografia. R. Bultman, NT Theology, I; G. P. Klubertanz, The Philosophy of Human Nature; R. Niebuhr, The Nature and Destiny of Man; H. W. Robinson, The Cristian Doctrine of Man; E. C. Rust, Nature and Man in Biblical Thought; G. C. Berkouwer, Man: The Image of God.