terça-feira, 27 de janeiro de 2009

ESCATOLOGIA

Aula 1
Prof. Raulino

DEFINIÇÃO DE ESCATOLOGIA
Escatologia deriva de duas palavras gregas: escathos e logos, que se traduzem por “últimas coisas” e “estudo” ou “tratado”. É o estudo ou doutrina das últimas coisas.

AS SETE DISPENSAÇÕES.

A palavra dispensação deriva do termo grego “oikonimia” (sig. economia que é a “boa ordem na administração na despesa de uma casa).

As sete dispensações são:

1 – Dispensação da Inocência

Seu início deu-se na criação e findou-se na queda de Adão. O tempo não é revelado.

2 – Dispensação da Consciência

Esta dispensação começou em Gn. 3 e durou cerca de 1656 anos: de zero (0 ) a 1656 a.C., abrangendo o período desde a queda do homem até o dilúvio; Gn. 7.21,22.

3 – Dispensação do Governo Humano

Esta dispensação começou em Gn. 8.20 e perdurou cerca de 427 anos. Desde o tempo do Dilúvio até a dispersão dos homens sobre a superfície da terra, sendo consolidada com a chamada de Abraão; Gn. 10.15; 11.10-19;12.1.

4 – Dispensação Patriarcal

Teve início com a Aliança de Deus com Abraão, cerca de 1963 a.C., ou seja, 427 anos depois do dilúvio. Sua duração foi de 430 anos; Gl. 3.17; Hb. 11.9,13. A palavra chave é PROMESSA. Por meio desta dispensação, Abraão e seus descendentes vieram a ser herdeiros da promessa.

5 – Dispensação da Lei

Ela teve início em Êx. 19.8, quando o povo de Israel proclamou dizendo que “tudo que o Senhor falou, faremos.” Sua extensão é de 1430 anos. Do Sinai ao Calvário; do Êxodo à cruz.

6 – Dispensação da graça Esta dispensação começou com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo e terminará em plenitude com o arrebatamento da Igreja; porém, oficialmente falando, seus efeitos continuarão até Apocalipse 8.1-4.

7 – Dispensação do Reino

Esta dispensação terá a duração de 1.000 anos; Ap. 20.1-6. É também chamada de a dispensação do Governo Divino.Esta dispensação é algo para o futuro, logo após o julgamento das nações descrito em Mt. 25.31-46, e antes do Juízo do Grande Trono Branco.

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Aula 2
Prof. Raulino

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DA ESCATOLOGIA.

Método alegórico ou figurado O termo alegoria é definido, por alguns teólogos, como qualquer declaração de fatos supostos que admite a interpretação literal, mas que requer, também, uma interpretação moral ou figurada. O que importa dizer é que o método alegórico se deve tomar cuidado. Ex: Gl. 4.21-31 Paulo tomou figuras ilustradas no texto com focos literais da antiga dispensação, mas apresentou-os como sombras de eventos futuros.


Método literal ou textual

Este método se preocupa em dar um sentido literal às palavras da profecia

Os dois métodos são válidos. Há uma perfeita relação entre as verdades literais e a linguagem figurada. Por exemplo, no texto de Jo.1.6 diz: “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. E em Jo. 1.29 nos fala: “Eis aí o Cordeiro de Deus.” Palavras pronunciadas pelo próprio João Batista ao ver a Jesus.

Agora vejamos os métodos de interpretação aplicado em ambos os textos. O 1º está falando literalmente de um homem, cujo nome, de fato, era João. No 2º texto João Batista usou a forma figurada para denotar a pessoa de Jesus.

Em se tratando do livro de Apocalipse, que em sua parte, é um livro escatológico, têm surgido diversas classes de intérpretes, as quais devem ser conhecidas pelos pastores e por aqueles que exercem o Ministério da Palavra. Por quê?
-Porque os crentes pentecostais, em sua maioria, não sabem em que classe de intérpretes do Apocalipse, eles se encaixam, e por conseguinte deixam ser levados por ensinos deturpantes que contradizem a Palavra de Deus.

1- Os Preteristas. Crê que a maior parte do Apocalipse já foi cumprida, a muito tempo atrás. Eles relegam tudo ao passado.

2 - Os Historicistas. Interpretam o Apocalipse como um estudo progressivo dos destinos da Igreja desde o seu início até a consumação. Estes asseveram que as profecias estão cumpridas em parte e em parte estão por cumprir e algumas estão sendo cumpridas diante de nós.

3 - Os futuristas. Estes interpretes dividem-se em dois grupos:a) Futuristas extremos – acham que todo o Apocalipse refere-se à vinda do Senhor Jesus Cristo.b) Futuristas simples –. A maioria dos Pentecostais Fundamentalistas têm uma visão futurista do livro. Sob esta perspectiva tudo, ou quase tudo que é narrado após o cap. 4, será cumprido num curto espaço de tempo (sete anos) após o término da Dispensação da Igreja.

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Aula 3
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Os intérpretes do Apocalipse estão também divididos na forma como se vê o milênio.


Amilenistas. Para eles não haverá nenhum Milênio, pelo menos não na terra. Alguns simplesmente dizem que, como o Apocalipse é simbólico, não há sentido algum em se falar em Milênio Literal. Outros interpretam os mil anos como algo que ocorrerá no céu. A maioria dos amilenistas consideram Agostinho (o bispo de Hipona, no Norte da África 396 – 430 d.C.) um dos principais idealizadores de amilenismo.Pós-Milenista. O Evangelho ganhará todo o mundo para Cristo, e a Igreja assumirá o controle dos reinos seculares. Após haverá a ressurreição e o julgamento geral tanto do justo como do ímpio, seguido pelo reinado eterno no novo céu e na nova terra.

Pré-Milenista. Acreditam que, o retorno de Cristo, a ressurreição dos salvos e o tribunal de Cristo, será antes do Milênio. No final deste, Satanás será solto, engana as nações, mas há de ser prontamente derrotado para todo o sempre. Segue-se o julgamento do Grande Tribunal Branco, que sentenciará o restante dos mortos. Aí sim, teremos o reino eterno no novo céu e na nova terra.

Obs: É essa classe de intérpretes do Apocalipse que a maioria dos Pentecostais pertence.


Intermediário.

É a existência entre a morte física e a ressurreição final do corpo sepultado. No A.T., esse lugar é identificado como sheol (no hebraico), e no N.T. como Hades (no grego). Os dois termos dizem respeito ao reino da morte.

A) OS MORTOS – JUSTOS. Todos os justos, de Adão até à ressurreição de Cristo, ao morrerem, suas almas (com possível exceção de Enoque e Elias), desciam ao Paraíso, que naquele tempo constituía um compartimento do Sheol ; cf. Gn. 37.35.

B) OS MORTOS – ÍMPIOS. Desde o tempo de Adão até o julgamento do GRANDE TRONO BRANCO, as almas dos ímpios seguem para o mundo invisível, ou seja, o Sheol ou Hades aguardando o julgamento final quando serão lançados no Lago de Fogo; cf. Nm.16.30,33.

SHEOL
- usada na forma singular; Jó 17.15,16
- existe apenas um Sheol
- localizado abaixo (no centro) da terra
- lugar onde há muita gente
- somente Deus envia o homem ao Sheol; Lc.16.22,23.

O Sheol-Hades, antes e depois do Calvário.

Antes do Calvário, o Sheol-Hades dividia-se em 3 partes distintas. A primeira parte é o lugar dos justos, chamada Paraíso, Seio de Abraão, Lugar de consolo; Lc. 16.22,25. A Segunda é a parte dos ímpios, e é denominada lugar de tormento; Lc.16.23. A terceira fica entre a dos justos e a dos ímpios, e é identificada como lugar de trevas, Lugar de prisões eternas, Abismo. Lc. 16.22; 2Pe. 2.4; Jd. v. 6. É aí onde Satanás será preso durante o Milênio, e onde se encontra aprisionada uma classe de anjos caídos, a qual não sai desse abismo, senão quando Deus permitir nos dias da Grande Tribulação.

Depois do Calvário, houve uma mudança dentro do mundo dos mortos. Depois da sua morte Jesus esteve 3 dias no coração da Terra, isto é, no Paraíso, do qual Ele havia dito ao malfeitor. Por esta ocasião, Cristo aproveitou a oportunidade e “pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé”; 1 Pe. 3.18-20. Depois disso efetuou a grande mudança no Sheol-Hades “subindo ao alto levou cativo o cativeiro”; Ef. 4.8, isto é, trasladou o Paraíso para o 3º céu, na presença de Deus, debaixo do seu altar; Ap. 6.9, separando completamente das partes inferiores onde continuam os ímpios mortos.

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Aula 4
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O ARREBATAMENTO DA IGREJA.

A definição da 2ª vinda de Cristo é bastante ampla; é vista pelo menos de duas maneiras diferentes. E localizada, às vezes, para indicar o drama dos tempos do fim, abrangendo tanto o arrebatamento da Igreja quanto a revelação de Cristo em glória no Monte das Oliveiras; Zc. 14.4. Outras vezes, é enfocada especificamente para diferenciar a revelação de Cristo do arrebatamento da Igreja que a antecederá.

– Palavras usadas para descrever o arrebatamento Existem usualmente três palavras que todos nós usamos para explicar tão maravilhoso fenômeno.

a) Arrebatamento; 1 Ts. 4.17.

b) Trasladação; Na carta aos hebreus vemos Enoque, um símbolo da Igreja.

c) Rapto. Palavra latina, RAPERE; significa transportar de um lugar para outro.


Propósitos do Arrebatamento

a) Recompensar a Igreja de Cristo, mediante a outorga de galardões, no soleníssimo Tribunal de Cristo; 2 Co. 5.10.

b) Conduzir a Igreja à Bodas do Cordeiro, que se dará em seguida ao Tribunal e, enquanto na Terra ocorrerá a Grande Tribulação.

c) Introduzir a Igreja no Reino da Glória e imortalidade, conforme o desejo expresso por Jesus; Jo. 14.3

A trombeta do arrebatamento

O toque da trombeta no dia do arrebatamento se relaciona com o alarido e a voz do arcanjo. O alarido significa originalmente uma expressão militar, uma voz de comando. Nesse dia ouvir-se-á a voz do ARCANJO. Como se sabe, a palavra ARCANJO significa chefe de anjos. Visto que, em Mt. 24.30,31 encontramos os anjos a recolher os eleitos,

Fatos ligados ao arrebatamento

Quando Cristo vier para buscar a Igreja, ocorrerão duas coisas na terra, por ocasião desse evento:

a) A ressurreição dos mortos salvos.

b) Transformação dos vivos, ou seja, uma verdadeira metamorfose, 1 Co. 15.52.

A GRANDE TRIBULAÇÃO.

Logo após o arrebatamento da Igreja e antes da manifestação pessoal de Jesus a este mundo. Haverá um tempo de tribulação e angústia predito no Velho Testamento. Dn 12.1, Jr. 30.7. Existe também citações no NT; Mc. 13.19; Mc. 13.20.

Período da Grande Tribulação.

A Grande Tribulação poderá ser por Eras ou durará uma semana de anos, Dn. 9. 27. Será a Septuagésima semana de Daniel. Uma semana de anos corresponde a sete anos; a semana será dividida em duas etapas de três anos e meio. A última etapa da 70ª semana é assim designada: tempo, tempos e metade de um tempo.

Reinado do Anticristo.

A palavra anti tem este sentido básico no grego: em lugar de e não contra. Ele não dirá ser o anticristo. Antes reivindicará ser o verdadeiro Cristo.

O anticristo aparecerá no cenário mundial. Fará um concerto por sete anos com o povo de Israel. Já que o mundo está em suas mãos, três espíritos imundos semelhantes a rãs saem da boca da trindade satânica para congregar todas as nações para a peleja contra Israel, isto é, para a Grande Batalha do Armagedom. Eles serão derrotados pelo Senhor e lançados no Lago de Fogo.

O MILÊNIO

“...e reinarão com Cristo durante mil anos”; Ap. 20.4b. O milênio será, de acordo com as escrituras, um tempo de restauração para todas as coisas, a justiça encherá a Terra.

Haverá profundas mudanças na Terra, durante o Milênio. A maldição que Deus pronunciou devido ao pecado, será removida e assim a benção de Deus mover-se-á sobre a Terra.

A FORMA DE GOVERNO SERÁ TEOCRÁTICO (Dn. 7.4)

A Sede do Governo: Jerusalém, será a capital do mundo.

O conhecimento do Senhor será universal durante o Milênio; Is. 11.9; Jr. 31.34.

Satanás será amarrado durante o Milênio. Ap. 20.1-3.

Haverá paz universal durante este período Satanás será solto no final do Milênio Satanás será solto do abismo, por um pouco de tempo e enganará as nações a fim de congregá-las para a batalha final. Mas, Deus enviará fogo do céu que os devorará.

– O JULGAMENTO FINAL

Ap. 20.11-15 descreve o julgamento que terá lugar ao fim do Milênio, `’mil anos’` depois do julgamento das nações, realizando-se não sobre a terra, como foi o caso do julgamento das nações, mas sim nas regiões celestiais onde Deus habita. A primeira ressurreição, Ap.20.6, ocorrerá antes do início do Milênio e será para os mortos justos pertencentes a todas as dispensações, à Igreja, e ao grupo salvo durante a G.T.; Ap.7.

Sendo que os participantes da 1ª ressurreição são descritos como bem aventurados, e santos, naturalmente os demais mortos que não viverem até o fim do Milênio não o são. Por essa razão cremos que perante o GTB comparecerão os mortos ímpios.

A presença do Livro da Vida será necessária na condenação daqueles que alegarão méritos das suas obras, quando deveriam ter aceitado a Cristo como seu Salvador, fato que teria colocado seus nomes nesse livro do Cordeiro.

Os ímpios serão julgados segundo as suas obras. O registro delas será aberto e lido para determinar o grau de castigo. O Lago de Fogo será para todos os ímpios. Para este lugar serão removidos para sempre a morte e o Hades.

O ESTADO PERFEITO E ETERNO.

Jesus não deixou de mencionar sobre essa era perfeita. Apocalipse 21 e 22 descrevem as glórias deste estado eterno.

A cidade de Jerusalém, a celestial, baixará de vez sobre a Terra. A nova terra tem seu relevo totalmente diferente.


1. REFERËNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BERKHOF, Louis, Teologia Sistemática, Ed. Luz para o Caminho, 1990, Campinas-SP.

GILBERTO, Antônio. O calendário da profecia (9ª Edição 1997) CPAD. . HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas (2ª Edição 1996) CPAD.

LOCKYER, Sr. Herbert. Apocalipse – O drama dos Séculos, (1ª Edição em Português 1992) Editora Vida.

OLSON, N. Laurence. O plano Divino Através dos Séculos (18ª Edição 1998) CPAD.

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